DESMISTIFICANDO BRINCADEIRAS DE CRIANÇAS

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Refletindo um pouco sobre as brincadeiras das crianças, decidi escrever sobre algumas questões que precisam ser analisadas e questionadas pelos adultos em geral, mas principalmente por nós educadores.

Muitos de nós (se não todos nós), fomos “ensinados” desde muito pequenos que “existem” brincadeiras de meninos e brincadeiras de meninas. Meninos brincam de carrinhos, jogam bola, brincam de luta com os amiguinhos, com bonécOs de super heróis… já as meninas, brincam de bonecAs, de Barbie, trocam roupinhas das bonecas, brincam de casinha, de cozinhar… enfim, crescemos ouvindo isso e nos limitando a essas brincadeiras. Ouvíamos essas distinções de nossos pais, avós, tias/tios e até dos nossos professores! São marcas de uma época, de uma geração que culturalmente tinham isso como valores reais, corretos, motivados pela educação que vinha ainda da revolução industrial, da ditadura, dos padrões sociais estabelecidos pelos antigos que conservavam que o homem é o chefe da família, é ele que trabalha fora e “põe” comida na mesa, as mulheres então, ficavam com as tarefas domésticas, cuidavam da casa, dos filhos, não deixando faltar as refeições e as roupas limpas no armário. Logo as brincadeiras eram incentivadas neste contexto.

Hoje, com a sociedade reconfigurada onde as mulheres tem seu espaço no mercado de trabalho, exercendo profissões que antes eram exercidas apenas pelos homens, isso também reflete-se nas brincadeiras das crianças. Muitos professores e instituições de ensino já entenderam que não faz mais sentido distinguir as brincadeiras, que não é compatível com a realidade atual da nossa sociedade e com isso, desenvolvem através de suas práticas, oportunidades de experimentações de brincadeiras entre as crianças, que indiferem de brincadeiras de meninos ou brincadeiras de meninas. Precisamos nos conscientizar que brincadeira é brincadeira, que toda e qualquer brincadeira é coisa de criança e é através das brincadeiras que são trabalhadas e desenvolvidos muitos valores e questões lá da vida adulta.

Exemplo:

Um menino que não for incentivado ou simplesmente podado e restringido de brincar de boneca, trocando as roupinhas, brincar de cozinhar, de casinha, dificilmente ele ajudará sua esposa no futuro com os cuidados domésticos. Será aquele homem que não saberá preparar uma refeição boa, a organizar uma casa, cuidar pra não sujar, lavar uma louça, trocar a fralda do próprio filho/a, vestir uma criança corretamente, enfim, será aquele homem que ainda é bastante comum vermos nos dias atuais, que deixa tudo para a esposa, que conserva o pensamento quadrado e obsoleto de que “isso é coisa de mulher.” “ Elas é que sabem fazer”, “Eu não faço isso, minha esposa é que faz”…

Já uma menina que não for incentivada ou simplesmente é podada e restringida de jogar bola na rua com outras crianças (meninos e meninas),  brincar de carrinhos, brincar com bonecOs de super heróis… possivelmente terá dificuldades de compreender seus futuros maridos em relação ao futebol com os amigos, futebol na TV final de semana, terá mais dificuldades para aprender a dirigir, estacionar, noções de espaço, dificuldade de identificar e reconhecer problemas de mecânica dos carros, assim como cuida-los, como levar um carro no mecânico para revisão e manutenção mantendo-se segurança e com o mínimo de conhecimento para que “não” seja enrolada pelo profissional. Possivelmente será aquele tipo clássico de mães que ficam inseguras  e sem muito jeito para brincar com o filho de carrinho, já que isso não fez ( e talvez não faça) parte do universo dela. Enfim, pequenos exemplos do cotidiano adulto que tem origem lá na infância.

brincadeiras-para-criancas-865x577Não cabe mais a nós educadores, pais e familiares, esse tipo de atitude e pensamento. É  fundamental deixar as crianças livres para brincarem do que desejarem, deixar que elas criem situações no imaginário que permitam ser o que quiserem ser, brincar, essa troca de papel (masculino  e efemino) que surgem nas brincadeiras, é muito saudável e importante para o reconhecimento do outro e de si, é nessas brincadeiras que nascem e são construídos o respeito ás diferenças, a empatia, a simpatia, os valores humanos como cooperação, responsabilidade, humildade, compreensão e muitos outros.

Cada vez mais precisamos atentar para práticas pedagógicas que viabilizam essas possibilidades, de brincadeiras que contemplam as diferenças de gêneros, para que ambos possam experimentar todas as brincadeiras possíveis, considerando sempre que brincadeira é coisa de criança e que todas as brincadeiras são acessíveis a todas as crianças independente de ser menino ou menia.pula-corda

Ainda que surjam comentários por parte das crianças, do tipo:

– […] mas professora, meu pai (mãe, vô, vó…) disse que brincar de boneca é coisa de menina!

Não devemos jamais dizer que o pai, mãe, vô, vó, seja quem for que tenha dito isso a criança, está errado. Jamais! Nesse momento o professor/educador deve manter-se neutro e orientar a criança que talvez a professora ou a familia do seu pai, mãe ou quem disse isso, não ensinou que brincar de boneca é coisa de criança, incentivando o aluno(a) a compartilhar com a família, essa ideia. Exemplo:

– Quem sabe tu possas ensinar agora? Que tu aprendeu com a tua professora e na tua escola, que brincar de boneca ou qualquer outra brincadeira é brincadeira de criança, assim tu podes brincar porque és uma criança.

Para encerrar, volto a dizer que mais do que orientar as crianças nosso papel como educador, pedagogas e pedagogos é de orientar os adultos, os pais, a família das crianças, promover rodas de conversas que tragam esse tema e essa abordagem, difundir de forma contextualizada e fundamentada essa ideia e esse trabalho de desmistificar as brincadeiras das crianças. Pois criança é criança independente do sexo. Compartilho um breve vídeo que resume de forma linda a postagem de hoje, encerrando um ciclo, um ano, que possamos refletir e questionar sempre mais e mais a educação e a orientação das novas gerações.

Confira o relato de Marcos Piangers, radialista gaúcho, sobre a experiência de um homem que virou pai. Vale a pena conferir!

Desejo um Natal pleno de amor, união  e luz para todos os leitores, um Ano Novo repleto de realizações, saúde, paz, harmonia, sabedoria e em 2017, voltaremos com muito mais postagens significativas e esclarecedoras!

NAMASTÊ!!

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